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Tendências Comportamentais em Finanças (teste)

O estudo de tendências comportamentais é uma ferramenta valiosa para o investidor identificar atitudes que podem beneficiar ou prejudicar o seu esforço de acumulação de recursos.

Uma pesquisa intitulada Fear Factor (Fator de Medo), realizada pela Universidade de Cambridge, buscou mapear em diferentes culturas e variados graus de escolaridade e nível social quais são os principais medos apresentados pelas pessoas. Excetuando-se casos extremos, como países em guerra ou que passam por ondas de fome e fuga de refugiados, os pesquisadores descobriram uma consistência significativa dos três principais medos das pessoas no mundo. Os resultados são reveladores.

Em primeiro lugar está o medo de falar em público. Enfrentar uma plateia e estar sob o foco e o olhar crítico de outras pessoas figura como algo intolerável e evitado por mais de 80% dos entrevistados. Na escala usada para mensurar o medo (mediada de 0 a 100), o receio de falar em público aparece disparado em primeiro lugar, com 90 pontos.

Em segundo lugar temos o medo da morte com 69 pontos na escala. Por fim, o medo de não ter recursos financeiros suficientes para o próprio sustento figura como o terceiro maior medo das pessoas no mundo hoje, marcando 65 pontos na mesma escala. Nesse aspecto, a preocupação com o futuro e, consequentemente, o relacionamento que temos com nosso dinheiro e finanças pessoais têm como pano de fundo um receio muito grande, comparável com o que temos da própria morte. É evidente que isso terá um impacto significativo na forma como nos relacionamos com nossas finanças e no comportamento que apresentamos ao gerir tais recursos.

A existência desse medo está intimamente relacionada aos comportamentos e decisões tomadas no dia-a-dia, visto que há pouca evidência de uma racionalidade integral no processo decisório; o que vemos é uma racionalidade limitada e que pode influenciar negativamente os nossos resultados no campo das finanças.

Vou propor dois simples testes, em cenários distintos, para colocar esses conceitos à prova. Imagine que vocês (investidores) estão diante de duas alternativas de aplicação que levarão a ganhos financeiros. As alternativas são as seguintes:

a)    80% de chance de ganhar 10.000,00

b)    100% de chance de ganhar 7.000,00 (ganho certo de 7.000,00)

Qual seria a escolha de vocês?

Agora imaginem um cenário onde as alternativas levam a perdas financeiras. As alternativas são as seguintes:

a)     80% de chance de perder 10.000,00

b)     100% de chance de perder 7.000,00 (perda certa de 7.000,00)

Neste cenário, qual seria a escolha de vocês?

Obs: não vale resposta do Mestre nem do Doutor.

Abraços.

Fonte: Aquiles Mosca, Finanças Comportamentais (coleção Expo Money)

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9 comentários sobre “Tendências Comportamentais em Finanças (teste)

  1. Primeira opção minha resposta é: A
    Na segunda opção minha reposta é: B
    Saldo na melhor circunstancia: + 3.000
    Saldo no caso de cair nos 20% da opção A : – 7000

  2. Vamos à análise do teste:

    Na primeira questão (a que trata de possíveis ganhos), se o ser humano utilizasse a sua total racionalidade e analisasse toda a informação fornecida em busca da decisão ótima, não hesitaria e partiria logo para o cálculo do valor esperado de cada alternativa, escolhendo aquela em que, na média, lhe proporcionasse o maior retorno. Isto é, escolheria a alternativa A, na qual o valor esperado é de 8.000,00, um retorno 14,28% superior aos 7.000,00 que obteria na alternativa B. No entanto, estudos aplicados envolvendo escolhas como a apresentada neste teste revelam que apenas 20% dos indivíduos escolhem a alternativa na qual o retorno médio é maior. O “ganho certo” oferecido pela alternativa B distorce a escolha da maioria das pessoas; é o chamado efeito certeza, fenômeno que revela que a maior parte da população não está disposta a correr risco para ganhar, além de subestimar o potencial de alta de ativos de risco, como a bolsa de valores, que, ao longo do tempo, proporciona retorno mais elevado que outras alternativas de aplicação.

    Na segunda questão (a que trata de possíveis perdas), caso o investidor utilizasse novamente toda a informação disponível, escolheria naturalmente aquela opção que, na média, lhe proporcionasse o menor prejuízo. Ou seja, escolheria a alternativa B, onde o valor esperado do prejuízo é de 7.000,00. Mais uma vez, vemos que não é dessa forma que as pessoas realmente se comportam. Apenas 8% escolhem esta alternativa e 92% optam pela outra alternativa, onde a perda financeira é maior (prejuízo esperado de 8.000,00). O curioso é que na questão anterior, onde os indivíduos lidavam com um cenário de ganhos, a maioria das pessoas evita correr riscos para ganhar. Contudo, quando o cenário trata de perdas, a grande maioria mostra forte disposição a correr riscos para evitar perdas, mesmo que isso implique que, na média, as perdas sejam maiores.

    Em suma, as pessoas não são avessas a risco. São avessas a perdas! O estresse associado a uma perda é significativamente maior que o prazer associado a um ganho da mesma proporção, o que impele a maioria dos investidores a aceitar riscos, se isso trouxer como possibilidade evitar ou limitar perdas potenciais.
    Todos nós estamos sujeitos a esses vieses no processo decisório.

    É isso aí, abraços a todos.

  3. Obvio…quem nao tem aversao?
    Se alguem nao tiver ou é bilionario, ou é um E.T.
    Sabiamente colocado pelo michel “Todos nós estamos sujeitos a esses vieses no processo decisório.”

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