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“Estou comprando adoidado” – Luiz Barsi

Publicada na Revista Exame de 06/02/2013, o muiltimilionário investidor Luiz Barsi diz que está comprando e o que está comprando… Você escolhe os conselhos de quem irá ouvir na hora de investir: Do bilionário que ganhou investindo e vive disso ou dos analistas de corretoras e fundos que não são ricos e vivem de curto prazo. Segue a entrevista:

Luiz Barsi, um dos maiores investidores da Bovespa – e que fez fortuna aplicando em ações que pagam dividendos – diz que as empresas de energia elétrica estão entre as suas preferidas hoje
Por ANA LUIZA LEAL

PAULISTANO LUIZ BARSI TINHA CERCA DE 130 MILHÕES DE REAIS APUCADOS EM AÇÕES DE EMPRESAS de energia elétrica em agosto de 2012, pouco antes de o governo anunciar a controversa mudança de regras para a renovação de concessões desse setor. Essas companhias chegaram a perder quase 40 bilhões de reais em valor de mercado – e Barsi perdeu metade desses 130 milhões no último semestre. Em vez de se desesperar com o tombo, ele voltou a comprar. As ações preferidas são as de Eletrobras, que caiu 58% em 2012, Transmissão Paulista, que desvalorizou 40%, e Eletropaulo, que teve baixa de 47% (além de tudo, a empresa foi obrigada pelo governo federal a reduzir suas tarifas mais do que esperava).

Para Barsi – que construiu um patrimônio de 1 bilhão de reais na bolsa comprando ações ao longo de 40 anos -, ainda que os resultados dessas companhias piorem com as novas regras de concessão, elas continuarão lucrativas. E pagando dividendos elevados. “É assim que se ganha dinheiro no mercado”, diz. O investidor é um dos únicos que pensam desse jeito. Dos 19 analistas que acompanham a Eletropaulo, por exemplo, nenhum recomenda aplícar na companhia A maioria dos gestores de fundos de ações está vendendo esses papéis (leia mais na pág. 54). Como Barsi tem um pouquinho mais de dinheiro que esses analistas todos, é sempre bom ouvi-lo.

Os gestores têm vendido ações de empresas de energia elétrica. Os analistas estão pessimistas. Por que o senhor continua investindo nesse setor?
Realmente, o cenário piorou muito, e o maior problema é que ainda não dá para calcular o impacto que essa mudança de regras terá no caixa das companhias. Mas nenhum pais vive sem energia elétrica e, depois da queda dos últimos meses, as ações ficaram com um preço muito interessante. A Eletropaulo, por exemplo, cujos dividendos são maravilhosos, superiores a 20% do preço do papel por ano, está muito barata. Do jeito que está hoje, já é para comprar de olhos fechados. Mas ainda existe a possibilidade de o governo afrouxar as regras, com o pagamento de indenizações maiores. Aí fica excelente.

Mesmo se o governo ceder, não é provável que o lucro dessas empresas caia, o que reduziria os dividendos pagos aos acionistas?
Devem diminuir mesmo, mas não de forma significativa. Não acredito que vá cair 40%, como aconteceu com algumas ações. Isso prejudica a distribuição total de dividendos, mas em valores absolutos. É preciso pensar nos dividendos como um percentual do valor investido na ação. Por exemplo: se eu aplico 10 000 reais nos papéis da Eletrobras, espero receber pelo menos 10% em dividendos. Como o preço da ação despencou, esse percentual deve se manter, apesar da esperada redução do lucro. O retomo com dividendos de Eletropaulo, Eletrobras e Transmissão Paulista neste ano seguramente será maior que o da renda fixa. Acredito que ficará entre 10% e 15%. Por isso, estou comprando adoidado.

Quanto o senhor já comprou?
Minha carteira de papéis de empresas de energia elétrica caiu 50% no ano passado, mas estou voltando aos 130 milhões de reais que tinha antes da desvalorização desse setor. Só no dia 14 de dezembro, comprei 3 milhões de reais em ações da Eletropaulo porque achei que o preço estava muito bom. Paguei 12 reais por ação; hoje, está em torno de 15 reais. Em todo caso, não é esse tipo de ganho que procuro. Meu objetivo não é tentar comprar na baixa e vender na alta para ganhar a diferença. Eu acumulo ações. Só vendo quando sou obrigado – quando uma empresa sai do mercado, por exemplo. Minha remuneração é o dividendo, é isso que analiso.

Ações de empresas como Ambev, Cielo e Natura, que estão entre as preferidas dos gestores de fundos de dividendos neste ano, fazem parte de sua carteira?
De jeito nenhum. Respeito demais o risco ao investir – e risco, para mim, é comprar uma empresa com um valor de mercado muito superior ao patrimonial. É o caso das companhias que você citou: o valor chega a ser três vezes maior. Elas estão caras e o retorno anual via dividendos é muito baixo, de 4% a 5%.

Mas o senhor investe em ações de empresas que pagam dividendos de 3% a 5%, como a Ultrapar. Quando percentuais baixos valem a pena?
Quando as empresas estão baratas e há novos projetos, que indiquem que os resultados vão melhorar, o que pode aumentar a distribuição de dividendos. É o caso da Ultrapar. Também estou otimista com as companhias de papel e celulose, que respondem por 20% de minha carteira de ações. Gosto porque são bem administradas e rentáveis. A Klabin foi bem nos últimos três anos, e agora vamos ouvir falar cada vez mais da Suzana, que está investindo em novas fábricas no Maranhão e no Piauí, o senhor é o maior acionista individual da fabricante de materiais de construção Eternit.

É hora de comprar ou vender?
O retorno via dividendos é bom, de cerca de 10%, mas a Eternit está com uma espada na cabeça chamada amianto – um terço do faturamento vem de produtos fabricados com esse material, que já foi proibido em diversos países. O Supremo Tribunal Federal está analisando o caso aqui. Se decidir proibir o uso da substância, a ação vai desvalorizar muito, então não recomendo.

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  1. Michel
    02/02/2013 às 23:27

    Como ele tem só um pouquinho mais de dinheiro do que os analistas, fico com a estratégia dele, com certeza.

    • 03/02/2013 às 18:05

      Concordo plenamente! Ele segue a escola do Graham e Warren Buffet: procurar boas empresas que estejam baratas. Esse é o caminho para a riqueza no longo prazo.

  2. 05/02/2013 às 18:26

    Eu tô aprendendo com esses caras a ser feliz na Bolsa! Quando a Bolsa tá subindo de forma eufórica, eu fico feliz de ver meu patrimônio crescer. Quando a Bolsa tá despencando em pânico, eu fico feliz com novas oportunidades de compra que surgem. Assim não estresso nunca com meus investimentos. Já chega o stress que eu passo no trabalho.

  3. 05/02/2013 às 18:30

    Eu estou aprendendo com esses caras a ser feliz na Bolsa de Valores. Quando o Sr. Mercado está de bom humor e a Bolsa sobe euforicamente, fico muito feliz com meu patrimônio se valorizando. Já quando o Sr. Mercado está de mau humor e a Bolsa despenca em pânico, eu fico super feliz com as oportunidades de compra e promoções que aparecem. Já chega o stress que tenho no trabalho todos os dias. O Mercado Financeiro é meu momento de lazer. :)

  4. 07/02/2013 às 23:02

    “A distribuição dos lucros faz mais sentido em empresas de energia elétrica, concessões rodoviárias, saneamento básico e telecomunicações”, afirma. “Como já atuam em mercados cativos, boa parte da geração de caixa acaba sendo revertida para os acionistas.” Ele lembra que yields expressivos não necessariamente indicam uma extraordinária distribuição dos dividendos. Como o indicador leva em conta o preço do papel no mercado, um percentual alto pode revelar que a ação está desvalorizada.

  5. 18/02/2013 às 11:37

    É isso dai que o André comentou, o Luiz Barsi sabe investir e não especular.
    90% dos ditos investidores nada mais são do que especuladores.

    Quem opera sem se preocupar com balanço da empresa e seus projetos pode ser tudo mas o termo “investidor” eu acho meio duro de engolir.

  6. 19/05/2013 às 16:04

    eu só queria ver uma entrevista com ele pessoalmente.

  7. 20/05/2013 às 20:30

    alem das acoes que historicamente sao boas pagadoras de dividendos, qual seria a analise do Luis Barsi sobre as acoes de FII (Fundos de investimentos imobiliarios) ? A ideia da receita atraves do dividendo é a mesma, mas se um imovel fica desocupado por algum tempo, nao so o preco da acao despenca, como o dividendo seca por um periodo. Nesta lógica, quando uma acao de FII despenca, é a hora de entrar no mercado ?

    • Mestre
      20/05/2013 às 21:50

      Prezado, não existem ações de FIIs. O que há são cotas de FII negociadas em bolsa. E o Barsi prefere ações a imóveis. A análise de uma empresa é bem diferente de um FII, não devemos confundir.
      Eu nunca investi em FII, mas considero uma modalidade interessante para quem gosta do mercado imobiliário. O que mais gosto é a possibilidade de investir capital menor que em um imóvel físico e a possibilidade de diversificar entre fundos.

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